Pedalar: quanto mais simples, melhor

Pedalar: quanto mais simples, melhor

Ciclofaixa, Movimento Conviva

Quando ganhei o livro “Just Ride“, de Grant Petersen, autografado pelo próprio (obrigada, Kristin!), eu estava só começando a pedalar em São Paulo.

Na época, emprestei a um amigo que, recentemente, me devolveu o exemplar. Quando comecei a reler, pude notar as belezas e sutilezas de pedalar – que os anos, provavelmente, me fizeram entender. A leitura deliciosa foi um conveniente reencontro, já que acabei de trocar de bike e estou redescobrindo novos prazeres sobre duas rodas.

Na tradução ao pé da letra, “Just ride” significa “Simplesmente pedale”. E é exatamente isso que trata a leitura – um guia “pé no chão” que desmistifica a cultura esportiva muitas vezes atrelada ao cotidiano de quem começa a usar a bicicleta como meio de transporte.

Esse “guia radicalmente prático para andar de bicicleta” é leitura obrigatória. Aqui vão alguns tópicos abordados* (ou lições aprendidas) pra você ficar com vontade de ler:

Pedale como uma fada, não como um touro

Você não precisa de uma bike “peso pena” para ter leveza ao pedalar. Grant aponta que a habilidade de pedalar com o mínimo esforço é o que torna o ciclista leve como uma fada em vez de um pesado touro louco. Justo. Elegante.

Tecidos não respiram. Então, use roupas normais

Em um capítulo cômico sobre as roupas de atletas que muitos ciclistas urbanos ainda insistem em adotar para se locomover nas cidades, Grant diz que não há nada que justifique o uso dos tais “tecidos respiráveis” e desbanca a expressão em hilários parágrafos que explicam a razão dos tecidos não respirarem de verdade. Em prol do pedal tranquilo, deixe as camisas com bolsos atrás e nomes de patrocinadores para os esportistas – você só precisa chegar até o trabalho.

Fuja das sapatilhas de ciclistas profissionais
Use seus sapatos normais, combine-os com as suas roupas do cotidiano. Não pedale na cidade com sapatos caros e que te fazem parecer ridículo. Esse é mais um dos conselhos de Grant para um pedal simples e prazeroso.

Não confunda “ter saúde” com “ser atleta”

Pedalar é muito saudável, mas não necessariamente te tornará um atleta. Grant aconselha, inclusive, que mesmo pedalando todos os dias, você faça um exercício regular que envolva outros músculos além dos que estão nas suas pernas. Seus bracinhos preguiçosos, por exemplo, podem muito bem se beneficiar de outras atividades físicas.

Não use apitos ou qualquer coisa barulhenta

“Um dia eu vi esse ciclista com um apito pendurado no pescoço. Ele apitava para abrir espaço entre os pedestres, como se fosse o motorista de uma ambulância”. Pois é, Grant. As bikes são silenciosas e belas por sua discrição. Sem apitos, por favor. Um “ding ding” é alerta suficiente sobre a sua presença, caso necessário.

Cuide do que importa de verdade

Ligar para o fabricante da magrela pedindo um refil da tinta original por que você deu uma arranhadinha no quadro? O mico é desnecessário. Se você quiser fazer algo por você ou sua bicicleta, aprenda o mínimo de mecânica para se tornar independente na manutenção da magrela. O assunto é extensamente abordado no livro em linguagem divertida para que até pessoas tortas como eu aprendam o essencial.

Nem sempre a bike mais leve é a melhor

Diante do marketing em torno de bikes cada vez mais leves, da celebração da leveza inerente a fibra de carbono, Grant fez um capítulo que aponta que “mais é menos”, sim. Bicicletas que pesam mais tem seu papel – além de mais estáveis diante de buracos, elas te ajudam a manter a velocidade na estrada, por exemplo. Afinal, é importante lembrar: se pedalamos para transporte, não para esporte, o peso da bicicleta é o de menos. É um jeito simplesmente divertido, sustentável e saudável de se locomover – e não uma competição. 😉

*Os tópicos são temas destacados aleatoriamente e reescritos pela autora do post.

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