Papo Conviva – Vélo Vogue

Papo Conviva – Vélo Vogue

Movimento Conviva

“Moda sobre duas rodas” poderia ser o slogan do movimento Cycle Chic, famoso em todo o mundo por espalhar a cultura de andar de bike bem vestido.

Recentente conversamos com Kristin Tieche, do blog Vélo Vogue, que fala justamente sobre a expressão de sua individualidade ao pedalar pelas ruas – e o quanto isso é importante.

A blogueira, que é uma querida e passou recentemente por São Paulo pela segunda vez, nos deu a honra de um delicioso Papo Conviva, contando desde sua história com bikes até seu ponto de vista sobre as mudanças no ciclismo em nossa cidade.

 

A blogueira Kristin Tieche, que passou por São Paulo recentemente pela segunda vez. Foto: Kristin Tieche/Flickr

Conte-nos um pouco de sua história no mundo das bicicletas. 🙂

Eu sempre amei andar de bicicleta, e tenho uma longa história ao longo da minha vida. Há tantos tipos de ciclistas, de atletas aos que pedalam para o trabalho, viajantes e ciclistas por lazer. Já fui cada um desses tipos de ciclista – e isso é provavelmente o que eu mais amo sobre a bicicleta. Ela é versátil e adaptável ao seu próprio estilo de vida.

Em 2007, depois de viver no interior por alguns anos com a minha mãe, onde eu praticava longos passeios em meio à natureza, voltei para São Francisco.

Eu tinha uma bike estradeira Fuji, com  firmapés nos pedais. Eu tinha também calças de lycra em quase todas as cores que uma garota desejaria tê-las. Mas quando eu tentei pedalar com ela em São Francisco, notei que já não era mais adequada ao meu estilo de vida. Nos faróis, eu tropeçava e caía, esquecendo que estava com firmapés. Além disso, pela leveza e com os pneus superfinos, tinha problemas com os buracos e asfalto irregular.

Logo descobri uma bicicleta resistente à cidade, e depois, inspirada por blogs como o Cycle Chic, de Copenhague, criei meu próprio blog – o Vélo Vogue. Desde então, estou ligada à maior rede de seres humanos do planeta – a comunidade de bicicleta.

 

Kristin mostra que não é preciso deixar a elegância de lado na hora de pedalar. Foto: Kristin Tieche/Flickr

O que você mais ama sobre o ato de pedalar?

É que, ao viajar como um ciclista, não importa em qual parte do mundo eu esteja:  me sinto em casa, próxima a pessoas que compartilham da mesma paixão e dedicação para fazer do mundo um lugar mais habitável, saudável e agradável!

 

Você esteve em São Paulo há alguns anos. Agora, ao voltar, certamente notou mudanças na cidade. Como você as vê, como ciclista de outro país?

Na última vez que estive em São Paulo me sentia um pouco intimidada para pedalar. Mas eu conheci a Renata Falzoni e o Felipe Aragonez, e andamos de bike na cidade de uma forma muito segura. Eles me mostraram as bicicletas pintadas nas ruas pelos próprios ciclistas, para os motoristas saberem que nós existimos e fazemos parte do trânsito. Eles também me mostraram as Ghost Bikes na Av. Paulista, um arrepiante lembrete de que ainda temos um longo caminho a percorrer para obter o respeito que merecemos nas ruas! Eu percebi que pedalar com outros ciclistas aqui em São Paulo é a melhor forma de se sentir seguro nas ruas.

A CicloFaixa e o Movimento Conviva são fundamentais para os paulistanos andarem mais de bicicleta na cidade. Se mais pessoas tentam pedalar, que seja um dia por semana, algumas delas irão descobrir o quanto gostam disso, o quão seguro e divertido é andar com outras pessoas e como é viável pedalar, com segurança, em meio a carros e ônibus.

Fiquei tão feliz ao ver diferentes tipos de pessoas pedalando na CicloFaixa – velhos, jovens, homens, mulheres, famílias e até animais de estimação! Nós todos sabemos que o ciclismo traz um sorriso ao seu rosto, faz você se sentir bem e saudável, e que você acaba conhecendo algumas pessoas realmente maravilhosas e que se preocupam em fazer do mundo um lugar melhor para se viver. Espero que da próxima vez que vier para São Paulo, a CicloFaixa não seja apenas para os ciclistas usarem aos domingos, mas todos os dias da semana.

 

Kristin, em sua recente passagem por São Paulo, e Felipe. Foto: Kristin Tieche/Flickr

Kristin e a jornalista Lygia de Luca pedalando na CicloFaixa de Lazer de São Paulo. Foto: Kristin Tieche/Flickr

Como você, que viaja bastante, vê a evolução da presença de bikes no trânsito ao redor do mundo?

Globalmente falando, está claro que uma mudança está em andamento. Em minhas viagens, ao longo dos últimos anos, tenho visto mudanças positivas significativas em muitas cidades da Europa, América do Norte e América do Sul. É incrível como a vontade política pode realmente fazer a mudança acontecer.

Eu também acredito que a facilidade de conexão com cicloativistas em todo o mundo pelas mídias sociais inspirou todos nós a permanecermos ativos e experimentarmos novas formas de envolvimento com a causa. Por exemplo, eu finalmente participei da Bike Party de São Paulo, inspirada na mesma festa que surgiu em São Francisco. Sinto-me honrada de fazer parte desse movimento mundial!

 

Seu blog, Vélo Vogue, é inspirado pelo movimento Cycle Chic e inspira ciclistas a expressar sua individualidade em suas bicicletas. Por que você acha a questão importante?

Cycle Chic é um movimento que une bicicletas à moda, e que tem inspirado muitas mulheres não só a andar de bicicleta como seu transporte de todos os dias, mas também a fotografar o que está vestindo, onde está indo e, depois, compartilhar essas imagens e histórias em mídias sociais.

Os blogs de moda sobre duas rodas explodiram na internet, mostrando às mulheres que é possível vestir o que quiserem para pedalar. De repente, o ciclismo foi visto não apenas como um esporte para homens, mas também como uma maneira fácil e agradável para toda mulher ir até o trabalho, dar uma volta ou encontrar os amigos. Mulheres que adoram moda finalmente encontraram um nicho na cultura da bicicleta no qual se encaixam.

Este movimento tornou a ciclista mulher mais visível tanto nas ruas quanto na mídia. Quando vemos mais mulheres usando a bike todos os dias, sabemos que as ruas estão cada vez mais seguras para todos os ciclistas.

O Vélo Vogue celebra a nossa individualidade porque a cultura da bicicleta é diversa, assim como as cidades em que vivemos e quaisquer movimentos envolvendo pessoas saudáveis.
O Vélo Vogue não vai dizer exatamente o que você deve vestir para pedalar, mas irá mostrar que as possibilidades são infinitas. A bicicleta se adapta ao seu estilo de vida. Sua escolha para se expressar é só sua, mas nós acreditamos que você fica muito mais sexy quando você está sobre duas rodas.

 

Como o interesse foi recíproco, a Lygia, nossa jornalista fofa e querida que foi responsável pelo papo com a Kristin e acabou fazendo uma amizade, também concedeu uma entrevista ao Vélo Vogue. Dá um pulinho lá no blog da Kristin para ler! 😉

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