Gente Conviva: Willian Cruz

Gente Conviva: Willian Cruz

Movimento Conviva

Analista de sistemas e cicloativista, Willian Cruz também é autor do blog www.vadebike.org. Criado em 2002 e eleito Melhor Blog em Português em 2011 no Deutsche Welle Blog Awards (The BOBs), o Vá de Bike é uma ótima fonte de informação, dicas, eventos, decisões políticas e iniciativas que apoiam a bicicleta como um meio legítimo de transporte, que assim como os demais deve ser aceito, respeitado, regulamentado e receber estrutura dos governos.

A qualidade dos seus textos e a forma como está sempre antenado aos acontecimentos ligados à bike, faz de Willian Cruz um importante cicloativista e um cidadão que pratica convivência todos os dias.

Por isso a gente fez questão de conversar com o Willian e saber um pouco mais sobre o que ele pensa sobre convivência no espaço público.

 

 

Pensando no Movimento Conviva, para você e sua rotina diária, o que significa conviver?

Significa usar em harmonia o espaço público que afinal é de todos os cidadãos. O meio de transporte utilizado não deve fazer diferença, pois as ruas são de todos.

É possível ser um cicloativista e conviver em harmonia com motoristas de carros, ônibus, caminhões, motociclistas e pedestres?

Claro que sim. Nossa maior luta hoje é justamente pelo compartilhamento e a convivência, mais importantes que construir ciclovias distantes umas das outras que não se interconectam. Uma cidade onde todos se respeitam (e se aceitam) é uma cidade mais justa e humana.

O que você acha que falta para que todos estes cidadãos convivam mais e com melhor qualidade no espaço público?

Perceber que carros, ônibus, caminhões, motocicletas e bicicletas são todos veículos. Assim como os carros e a motos têm o direito de utilizar as vias, como veículos que são, as bicicletas também o  têm e sua presença precisa ser aceita e respeitada. O ciclista deve ter a consciência de que deve se comportar na bicicleta como o veículo que ela é, ocupando seu espaço de direito e seguindo a regulamentação de trânsito (mãos de direção, sinais, etc). Dessa forma, todos podem utilizar o mesmo espaço. É possível conviver, basta nos vermos como pessoas.

Você considera as ciclorrotas como exemplos de convivência? Em geral, elas funcionam bem? O respeito nestas rotas é maior do que em espaços de uso comum?

Sim, são exemplos de convivência. As bicicletas não precisam necessariamente retirar um espaço do viário ou da calçada para trafegar de forma segregada em uma ciclovia. A ciclorrota implementada na região do Brooklin indica aos ciclistas os caminhos mais seguros para trafegarem, ao mesmo tempo em que sinaliza sua presença e seu direito de circulação. A redução da velocidade máxima e a sinalização específica trazem muito mais segurança para os ciclistas, que passam a se sentirem parte do tráfego. E eles passam a ser vistos dessa forma por quem está nos automóveis. A iniciativa é ótima e deve ser ampliada.

Como ciclista, você está sempre interagindo com o espaço público. Poderia nos contar alguma história que presenciou de exemplo de convivência?

Olha, dá pra passar a tarde contando histórias assim. Mas para citar rápidos exemplos: já desci da bicicleta para ajudar um deficiente visual a atravessar a rua, já fiz “escolta” com a bicicleta atrás de cadeirante que precisou descer para a via, já ensinei caminhos para motoristas perdidos, já ajudei a empurrar carros quebrados. Até já cheguei a pedalar até um posto de gasolina buscar combustível para um carro que parou em uma avenida. E também há iniciativas de convivência partindo de quem dirige: motoristas que reduzem para permitir que você mude de pista, gente que cede a preferencial para deixar a bicicleta passar e muitos outros, todos os dias, que mudam de faixa para ultrapassar a bicicleta, como se deve fazer para não colocar o ciclista em risco. Ainda há muito o que avançar, mas as ruas estão cada vez melhores para pedalar por causa da mudança de comportamento das pessoas que dirigem, que aceitam cada vez mais conviver com os ciclistas nas ruas.

Campanhas, mobilizações, você considera tudo isso válido para melhorar a qualidade de vida e o respeito entre todos os que dividem o espaço público?

Sem dúvida, essas iniciativas são importantíssimas. Nem sempre os problemas derivam de má índole das pessoas, muitas vezes o que falta é informação. Há, por exemplo, quem ainda não saiba que a bicicleta tem direito de usar a via, tampouco o motivo para ultrapassar a uma distância de 1,5m (que a princípio pode parecer exagerada). E essa falta de informação pode criar dificuldades e riscos.

Quais iniciativas indicaria para os leitores do blog Movimento Conviva acompanharem, participarem?

A campanha Preferência à Vida, da Prefeitura de São Paulo, é um bom exemplo de iniciativa a ser apoiada, pois valoriza a convivência através do respeito aos pedestres. O site Vá de Bike também traz informações a motoristas e principalmente ciclistas sobre como bicicletas e automóveis podem conviver harmoniosamente no trânsito. Organizações como a Ciclocidade e coletivos como as Pedalinas incentivam o uso das ruas por quem pedala de forma cidadã. O projeto Cidades para Pessoas, da jornalista Natália Garcia, mostra exemplos de cidades onde um melhor aproveitamento do espaço público e o planejamento igualitário de seu uso se tornaram as bases para a cidade funcionar. E o Movimento Conviva tem uma proposta muito bem vinda, que tem o potencial de acrescentar bastante às iniciativas existentes.

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