Entenda as diferenças entre CicloFaixa de Lazer e Ciclovias

Entenda as diferenças entre CicloFaixa de Lazer e Ciclovias

Ciclofaixa, Movimento Conviva

Há uma profusão de nomenclaturas, terminologias e conceitos acerca das estruturas cicloviárias implantadas em São Paulo e no Brasil, ocasionando um verdadeiro nó na cabeça de quem lê ou se refere a elas.

Por esta razão resolvemos fazer uma compilação de informações para melhor instruir o julgamento dos leitores, sem querer esgotar esta matéria tão rica e diversa quanto o é a própria bicicleta.

Iniciemos por um glossário objetivo, com informações extraídas dos manuais do Denatran e do Código de Trânsito Brasileiro:

Bicicleta

 

Veículo de propulsão humana, dotado de duas rodas, não sendo, para efeito deste Código, similar à motocicleta, motoneta e ciclomotor.

Ciclofaixa

 

Parte da pista de rolamento destinada à circulação exclusiva de ciclos [bicicletas], delimitada por sinalização específica.

Ciclovia

 

Pista própria destinada à circulação de ciclos, separada fisicamente do tráfego comum.

Calçada compartilhada

 

Calçada ou passeio público compartilhado entre pedestres e ciclistas, “desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios” (art. 59 do Código de Trânsito Brasileiro)

Mas e as ciclofaixas de lazer e as ciclorrotas?

 

Estas não possuem regulamentação federal específica, mas podem ser associadas a medidas já estabelecidas. Vamos a elas:

Ciclorrota

 

São rotas, caminhos indicados para ciclistas onde há sinalização de preferência – tanto horizontal quanto vertical. No entanto não há nenhuma separação física ou pintura contínua, como nas ciclovias e ciclofaixas. As ciclorrotas legitimam a presença de ciclistas naquele local, reforçando o art. 29 § 2º, art. 38 – Parágrafo único, art. 170, art. 201, art. 214, art. 220, todos do Código de Trânsito Brasileiro.

Ciclofaixa de Lazer

 

São, na realidade, ciclovias operacionais, pois possuem segregação física – de cones, balizadores, cavaletes e outros – e têm sua estrutura retirada após o período do evento. Não são, portanto, estruturas permanentes.

O que estas estruturas têm em comum?

 

Todas, sem exceção, são importantes para promover o uso de bicicleta nas cidades. Um bom sistema cicloviário compreende uma boa rede de ciclovias e ciclofaixas – especialmente nas vias que oferecem mais riscos aos ciclistas; uma rede de ciclorrotas complementares – pois nunca haverá cobertura 100% de vias exclusivas e segregadas para ciclistas; e estruturas adicionais que contribuam para o desenvolvimento da cultura da bicicleta nas cidades, tais como ciclofaixas de lazer e bicicletas compartilhadas.

O Plano Diretor Estratégico de São Paulo, reconhecido e premiado internacionalmente por conta da sua avançada compreensão e regramento dos aspectos urbanísticos e de mobilidade urbana da cidade, organiza o sistema cicloviário a partir dos seguintes componentes: ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas, bicicletários, sinalização cicloviária e sistema de compartilhamento de bicicletas.

Não importam as nomenclaturas, portanto. Importa que estas estruturas sejam executadas, respeitadas, estimuladas e utilizadas e, onde não houver estrutura que separe os ciclistas dos demais, que seus direitos sejam plenamente respeitados, como mandam nossas leis e o bom convívio em sociedade.

Por Daniel Guth, consultor em políticas de mobilidade urbana.

Movimento Conviva

Instagran Youtube

Ciclofaixa São Paulo

Instagran Youtube

Ciclofaixa Osasco

Instagran