Deficientes visuais: respeite e conviva!

Deficientes visuais: respeite e conviva!

Movimento Conviva

De acordo com o Censo Demográfico do IBGE de 2010, do total da população brasileira, 23,9% (45,6 milhões de pessoas) declararam ter algum tipo de deficiência. Dentre as deficiências declaradas a mais comum foi a visual. Ao todo são mais de 6,5 milhões de brasileiros deficientes visuais. Além desses, outros 29 milhões declararam possuir alguma dificuldade permanente de enxergar, ainda que usando óculos ou lentes.

Por isso é urgente entendermos, respeitarmos e “engrossarmos o coro” para que o poder público invista em obras e estrutura para acessibilidade destes cidadãos que têm o mesmo direito de ir e vir que todos os demais.

Pedestres

–   Ao andar com uma pessoa cega, deixe que ela segure seu braço. Não a empurre: pelo movimento de seu corpo, ela saberá o que fazer.

–   Ao auxiliar a pessoa cega a atravessar a rua, pergunte-lhe antes se ela necessita de ajuda e, em caso positivo, atravesse-a em linha reta, senão ela poderá perder a orientação.

–   Se ela estiver sozinha, identifique-se sempre ao se aproximar dela.

–   Ao orientá-la, dê direções do modo mais claro possível. Diga direita ou esquerda, de acordo com o caminho que ela necessite. Nunca use termos como “ali”, “lá”.

–   Se um deficiente visual lhe pedir uma informação que você não sabe direito, não tenha receio de dizer que não sabe. Uma informação errada prejudica muito mais do que um não.

–   Ao conversar com uma pessoa cega, fale sempre diretamente e nunca por intermédio de seu companheiro. A pessoa cega pode ouvir tão bem ou melhor que você.

–   Não evite as palavras “ver” e “cego”: use-as sem receio.

–   Ao afastar-se da pessoa cega avise-a para que ela não fique falando sozinha.

 

Semáforos Sonoros e Inovações Tecnológicas

Foto: divulgação.

 

Vistos como um das possíveis soluções, os semáforos sonoros são aliados dos deficientes. Por outro lado, em avenidas e cruzamentos barulhentos esta ferramenta perde muito sua eficácia.

Protótipo de dispositivo inventado por estudantes de engenharia de Belo Horizonte facilita a travessia e dá mais independência a deficientes visuais.

 

Calçadas

Hoje muito se fala em calçadas com piso tátil e sem dúvida elas são extremamente funcionais para os deficientes visuais. Mas a implantação deste piso em todas as calçadas de norte a sul do país ainda é um sonho a ser realizado. Enquanto isso, uma atitude bem mais palpável poderia aumentar a qualidade de vida de quem não enxerga: a manutenção das calçadas.

Pavimentação íntegra, limpeza, nivelamento, poda e manutenção períodica de árvores, garagens que não avançam irregularmente sobre o espaço público da calçada, instalação de objetos que para um deficiente visual pode tornar-se um perigoso obstáculo.

Nas cidades e regiões onde já foi implementado o piso tátil, o zelo deve ser com a “rota” traçada pelo mesmo, uma vez que numa pesquisa encontramos diversas queixas de pisos que terminam em postes e telefones públicos.

Foto: divulgação.

Em São Paulo recentemente foi sancionada uma lei que obriga os moradores a manter suas calçadas em boas condições. Mas que tal esquecer punições e fazer isso por um bem maior de todos os que circulam pelo espaço público?

Transporte Público

Assim como os semáforos sonoros, existem em algumas cidades brasileiras um sistema de transmissão via rádio que permite que deficientes visuais possam ter autonomia para utilizar ônibus. Eles recebem do órgão público competente um transmissor onde podem cadastrar a linha desejada. Quando o ônibus da linha escolhida se aproxima do ponto de ônibus este transmissor emite um sinal para um receptor que fica no ônibus próximo ao motorista e o avisa de que há um deficiente visual no próximo ponto. Ele então aciona um alto-falante com o nome da linha para alertar o deficiente.

Infelizmente essa tecnologia é acessível a um número mínimo de deficientes, que acabam dependendo de acompanhantes ou das pessoas que estão no ponto. E como sempre colocamos nos posts aqui do blog do Movimento Conviva, a dica é “seja prestativo”. Não é uma questão de piedade, de obrigação, mas uma atitude de convivência. Ninguém vive sozinho e em algum momento sempre precisamos de alguém. É uma relação de troca, uma relação natural, um ato de compaixão e zelo pelos que estão ao nosso redor.


Cães-guia

Fiéis companheiros dos deficientes visuais, merecem todo nosso respeito. São os “olhos” das pessoas cegas e lhes dão independência. São animais treinados a partir dos 10 meses e que desenvolvem a atividade de guias com extrema eficiência até os 8 anos, quando em função do envelhecimento perdem gradativamente a capacidade de orientar os deficientes visuais.

Dicas de como conviver com os cães-guias:

 

–   Não mexa com um cão guia como qualquer outro cão. Além de ser treinado para uma comportamento completamente diferente (atenção total), mesmo em repouso ele está desempenhando sua atividade de orientação do seu dono.

–   Cães-guia são treinados para fazerem suas necessidades em horários e locais programados, normalmente, na residência do seu dono.

–   Se um cego com cão-guia lhe pedir ajuda, aproxime-se pelo lado direito, de maneira que o animal fique à esquerda.

–   Não toque na guia do cão. Ela é exclusiva do cego que ele acompanha.

–   Atenção donos de estabelecimentos e funcionários: o mesmo vale para cinemas, restaurantes, hospitais, shoppings. Cães-guia não são animais domésticos comuns.

–   Graças ao rigoroso treinamento, não é necessário ter medo de cães-guia. Eles são extremamente dóceis e 24 horas focados em sua atividade: orientar e proteger seus donos dos obstáculos.

–   Existe uma lei federal 11.126 de 2005 e o decreto nº 5.904/2006 que obriga o transporte do cão-guia com seus donos.

Além de seguir estas dicas para conviver com os cães-guia, caso você conheça um deficiente visual que não tenha condições financeiras de ter um, indique a ele as ONGs Projeto Cão-Guia Brasil  e Associação Cão-Guia de Cego.

 

Bengala Branca 

A bengala branca com a extremidade inferior vermelha, além de ser uma ferramenta para facilitar a locomoção, é um símbolo que identifica o deficiente visual. Segundo registros históricos ela foi uma iniciativa de George Benham, presidente do Lion’s Club de Illinois, em 1930, e o modelo padronizado universalmente utilizado até hoje é atribuído ao também americano Dr. Richard Hoover que o desenvolveu na década de 40, focado na reabilitação de militares deficientes.

Em dezenas de países no dia 15 de outubro é comemorado o “Dia da Bengala Branca” para homenagear as conquistas ou chamar atenção para as necessidades e demandas dos deficientes visuais para exercerem seu direito de ir e vir com autonomia e dignidade.

No Brasil, nem sempre os deficientes visuais utilizam bengalas brancas, mesmo assim, agora você já sabe o que elas significam 🙂

Para finalizar este post, reproduzimos algumas considerações do site Bengala Legal sobre os direitos das pessoas cegas e como devemos não só respeitar estes direitos como ajudar a lutar por eles:

 

A garantia de nosso direito de ir e vir.

A preservação de nossa privacidade.

A condição de executarmos tarefas com autonomia.

A possibilidade do cumprimento de compromissos sociais e profissionais.

A indispensável segurança no caminhar.

A preservação de nossa integridade física.

 

Fontes : ONG Fundação Dorina, Site Bengala Legal, Portal Mara Cabrilli

 

Imagem de capa: http://migre.me/8tZIp

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