Cycle Chic

Cycle Chic

Movimento Conviva

Foto: www.copenhagencyclechic.com

Em síntese, o Cycle Chic é o nome dado à cultura de andar de bicicleta bem vestido. Mais do que uma ação estética, é uma forma de cicloativismo. Ao andar com a roupa que vai trabalhar, fazer compras, ir ao cinema, dançar, o ciclista demonstra que a bicicleta é um meio de transporte viável e não apenas uma opção de lazer.

O movimento surgiu na Dinamarca com a criação do blog Copenhagen Cycle Chic para difusão do conceito criado pelo cineasta, fotógrafo e cicloativista,  Mikael Colville-Andersen. Mikael esteve no Brasil em julho para apoiar o lançamento do blog Rio de Janeiro Cycle Chic e participar da semana do ciclista em São Paulo.

 

Manifesto do Cycle Chic

  • Eu escolho o Cycle Chic e a cada oportunidade vou escolher o estilo sobre a velocidade.
  • Eu abraço o compromisso de contribuir visualmente para uma paisagem urbana esteticamente mais agradável.
  • Eu estou ciente que a minha mera presença na paisagem urbana irá inspirar outros, sem ser rotulado como um “ciclista ativista”.
  • Eu vou andar com graça, elegância e dignidade.
  • Vou escolher uma bicicleta que reflita minha personalidade e estilo.
  • Eu vou, no entanto, sempre considerar minha bicicleta como um meio de transporte e como um mero complemento do meu estilo pessoal. Deixá-la chamar mais atenção do que eu é inaceitável.
  • Vou me esforçar para garantir que o valor total de minhas roupas sempre exceda o da minha bicicleta.
  • Vou utilizar acessórios de acordo com as normas de ciclovia e usar, sempre que possivel, protetor de corrente, kickstand, protetor de saia, fenders, campainha e cesta.
  • Eu vou sempre respeitar as leis de trânsito.
  • Vou me abster de usar ou possuir qualquer tipo de cycle wear.

 

Cycle chic em destaque

Foto: www.dodo.org

            Apesar de existir há alguns anos, o movimento voltou a ganhar destaque com a recente polêmica criada pela declaração da comerciante Carolina Maluf numa matéria da TV Globo sobre mobilidade urbana e a inauguração da ciclofaixa de Moema. “Aonde eu vou colocar as minhas clientes que são milionárias, que andam de carro importado? Você acha que as minhas clientes vão andar de salto alto de bicicleta?”, disse Carolina.

A resposta veio em forma de protesto com a mobilização “Milionárias de Bike” organizada por ciclistas nas redes sociais. O passeio aconteceu dia 19 de novembro e reuniu dezenas de pessoas bem vestidas andando de bicicleta, inclusive mulheres de salto alto e homens de terno e smoking.

Polêmicas à parte e sem entrar na questão do debate e pontos de vista sobre a ciclovia de Moema, o Cycle Chic é uma forma pacífica e bem produtiva para se fazer cicloativismo, porque aqui no Brasil ver alguém arrumado chegando para um encontro, um almoço de bicicleta chama a atenção de todos e estimula a reflexão sobre esse modal de transporte. Tanto da parte de quem vê, acha interessante e nota que é viável na prática, como dos estabelecimentos, que ao receberem cada vez mais ciclistas provavelmente irão investir em bicicletários para melhor atender seus clientes. Com estrutura cada vez mais pessoas vão pedalar e isso fará com que os investimentos públicos em prol do transporte por bicicleta aumentem, enfim, um ciclo bem saudável para a mobilidade urbana.

Como no Brasil a maioria das fábricas vê a bicicleta como opção de lazer, algumas adaptações na estrutura das bikes são bem-vindas para a prática do cycle chic sem surpresas – desagradáveis e com conforto: protetor de corrente, kickstand, protetor de saia, fenders, campainha, cesta, bagageiro ou alforges e trava em U.

 

Dicas

Para finalizar, reproduzimos algumas dicas da jornalista Verônica Mambrini, que mantém o blog Gata de Rodas. As dicas são para as mulheres, mas os homens podem adaptá-las, afinal cycle chic é um movimento para ambos os sexos.

 

  • Alfaiataria muito justa e saias muito curtas podem dar um pouco de trabalho. Mas basta escolher uma modelagem confortável que tá tudo bem;
  • Minissaias, vestido envelope, saia lápis e saia tulipa pedem um short de lycra por baixo;
  • Lenços e bandanas ajudam a proteger o cabelo;
  • Independente do tamanho do salto, é importante o calçado prender os calcanhares. Tamanco e clogs, por exemplo, não rola;
  • A forma correta de pedalar é com a frente do pé, portanto, o salto não atrapalha!

Foto: www.riodejaneirocyclechic.com

  • Luvas são úteis para trocar correntes e pneus e previnem calos. Não precisam ser esportivas; podem ser de couro ou de tecidos sintéticos (como as disponíveis em lojas de aventura), neutras e mais estilosas;
  • Em dias muito quentes, leve uma blusa reserva para trocar no destino;
  • No verão, vale ter lencinhos higiênicos e desodorante na bolsa;
  •  Protetor solar é item de beleza indispensável;
  • Bolsa, blusas e pastas podem ser acomodadas no cestinho ou em alforges. Deixe as costas livres (de mochilas, por exemplo) para evitar transpiração;
  • Em época de chuva, vale a pena levar uma capa, jaqueta impermeável ou poncho impermeável. Há várias opções levinhas e que, dobradas, cabem na bolsa.

Veja mais sobre o movimento em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

 

Foto de destaque na home: www.copenhagencyclechic.com

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