Chave Quinze: mulheres ensinam mecânica de bicicleta

Chave Quinze: mulheres ensinam mecânica de bicicleta

Movimento Conviva

Que as mulheres estão cada vez mais presentes em todos os territórios, nós já sabemos – afinal, estamos em 2016. E quando falamos sobre mecânica de bicicletas, não seria diferente. Por isso, hoje viemos apresentar um projeto liderado por elas.

O Chave Quinze é comandado pelas ciclistas Talita Noguchi e Gabriela Kato. O blog e canal no YouTube trazem dicas práticas, ensinadas com uma linguagem simples e divertida, sobre como trocar uma câmara furada ou até mesmo montar uma bike fixa do zero.

Se você não sabe como ajustar a altura do seu selim, elas também te ajudam. Didática é o que não falta na dupla, que manja bastante sobre mecânica e incentiva que outras mulheres aprendam também.

Afinal, além de pedalar, conhecer a própria bicicleta é mais uma forma de empoderamento feminino. As meninas, inspiradas, não param na mecânica: entrevistam pessoas interessantes e dão dicas diversas sobre o universo ciclístico. É conteúdo pra ninguém botar defeito. 😉

Conversamos um pouco com elas e você confere o resultado da entrevista logo abaixo:

Conviva: Como surgiu a ideia de ter um blog e canal no YT falando sobre mecânica de bike?

Gabriela e Talita: A ideia surgiu entre 2011 e 2012, a partir das oficinas de mecânica de bike ministradas pelas Pedalinas (grupo de pedal feminista do qual participamos), exclusivamente para mulheres, e do retorno que tivemos com pedidos de mais dessas aulas, além do número razoável de visualizações do vídeo que gravamos para registrar o evento; isso em conjunto com a escassez de vídeos com tutoriais sobre o assunto na época (2009/2010).

A ideia de criar um canal com vídeos de tutoriais surgiu entre 2011 e 2012, mas concretizada apenas em 2015. Nesse meio-tempo, surgiram ótimos canais sobre o assunto, mas ainda assim não encontrávamos tutoriais brasileiros apresentados por mulheres, o que acreditamos ser uma lacuna a preencher, principalmente para a representatividade de gênero e incentivo/empoderamento das mulheres. Também para se resolver problemas corriqueiros sem precisar de ajuda de uma segunda pessoa (normalmente, homem) em situações de emergência em uma rua vazia/erma.

Vocês sabem se a audiência de vocês é significativamente composta por mulheres?

Atualmente temos cerca de 3.000 inscritos no nosso canal no Youtube, e aproximadamente 90% da audiência é de homens, a maioria com idade entre 24 e 35 anos. Por outro lado, no Facebook, temos cerca de 1.500 curtidas, com 55% de mulheres e, destas, a maioria na faixa etária dos 25 aos 34 anos.

Vocês acham que facilita e encoraja mulheres cis, trans e não-binárias a conhecerem sobre mecânica da bike se o papo for entre elas?

No momento social em que vivemos, achamos que mulheres conversando entre mulheres facilita em parte, sim, tanto pela representatividade (se identificar com quem está apresentando o assunto) quanto de percepção de segurança. Imensas desigualdades são construídas calcadas no que se acredita diferenciar um ser humano do outro, seja por questões de gênero, raça ou classe.

Por conta disso, levamos em consideração o público com quem conversamos diretamente no intuito de juntas conseguirmos desconstruir alguns dos preconceitos que esvaziam as mulheres da sua humanidade e pertencimento social. Muito da caminhada está ligada ao início das Pedalinas, o que nos trouxe uma reflexão que tem a questão de gênero como basal.

Para além do fato de facilitar a comunicação, é também a forma como nós nos sentimos mais à vontade para transmitir as informações a quem está em condições de vulnerabilidade de gênero, pois não podemos esquecer que essa é também a nossa realidade.

E ao conhecerem melhor sobre suas bikes, as ferramentas e os processos de conserto sozinhas, as mulheres se sentem mais empoderadas? Como por exemplo para não serem vítimas de machismo em oficinas de bicicletas.

O machismo é estrutural; dificilmente frequentamos ambientes que não reflitam de alguma forma questões como o machismo e racismo. Tudo isso está bastante alinhavado com a forma como hoje em dia as mulheres são educadas desde pequenas. É importante incentivar meninas a praticar esportes, ter habilidades manuais e intelectuais que não deveriam ser restritas a nenhuma identidade de gênero, a fim de diminuir a vulnerabilidade delas ao longo da vida.

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Acompanhe o blog do Movimento Conviva para conhecer mais mulheres que atuam maravilhosamente no universo das bicicletas. Temos muitas histórias para contar. 😉

Por Lygia de Luca, repórter do Movimento Conviva.

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