A Bike Party é uma festa

A Bike Party é uma festa

Movimento Conviva

Saí atrasada de casa para encontrar amigos e ir até o MASP, local da concentração para a Bike Party, no sábado, 24/11. Pelo espelho, vi o colete de tachas, camiseta de zebras, batom forte e pulseira esquisita: estava pronta para a festa temática dos anos 80.

Tímida com o visual espalhafatoso – que não tem nada a ver comigo -, fui feliz travestida e bateu um alívio ao me unir aos amigos coloridos como eu.

Alissa Osumi e Lygia de Luca.

A primeira vez a gente nunca esquece, o que torna a primeira bike party uma ocasião muito especial. Pedalar é ainda novo pra mim – comecei com a ajuda de um bike anjo e nunca mais parei -, e desde que estou sobre duas rodas, um novo e divertidíssimo universo se apresentou.

Uma parte desse mundo é essa Bike Party da qual estou falando, cuja tradução é “um monte de gente reunida para uma festa feliz, de bicicleta”. Bom, essa é a minha interpretação e – assim espero – talvez de um monte de gente pelo mundo.

As festas aqui em São Paulo acontecem todo último sábado do mês. O Edu Grigoletto, da Ciclomídia, cuida do som – o sistema é bem eficaz e vai puxado pela bike dele em um carrinho. É é a música a alma da festa, que a cada edição renova seu tema, trajeto e trilha sonora.

“Vamos ocupar só a segunda faixa. Não é para ocupar mais de uma pista, vamos dividir a rua”, disse o Edu poucos minutos antes da partida do MASP. Via-se que era tudo bem organizado e, ao longo do trajeto, algumas pessoas ativas ao longo do grupo lembravam quem escapava para outra pista que era para voltar e se unir à festa em uma faixa só.

Vale dizer que todos os presentes ganharam bexigas para decorar suas magrelas – e, ao pedalar, embelezar a cidade.

Saímos. Quer saber a sensação? Desculpa, mas é que é inexplicável. Eu e uma amiga também marinheira (ou bicicleteira) de primeira viagem estávamos sorrindo maravilhadas. Pedalar em SP, com um grupo coloridíssimo – ufa, todos também incorporaram os anos 80! – e muito animado, na Av. Paulista, com música ambulante? Um sonho!

Além de poder apreciar a paisagem, pedalar em um ritmo mais lento que o habitual – ok que eu já sou da turma da velocidade moderada -, conversando e fazendo amizades, a Bike Party é como uma procissão de alegria contagiante.

As pessoas na rua gritavam entusiasmadas – com as cores, as bicicletas ou a música, tanto faz. Os motoristas buzinavam, de dentro dos seus carros, aprovando nossa presença na pista. E nós, em cumprimento, levantávamos as mãos, usávamos nossas buzinas de sininhos, gritávamos “bike-party-êêê”; cada um no seu estilo, celebrávamos o resultado daquele coletivo em movimento.

Sei lá, talvez essa alegria seja só explicável se você já tiver vivido momentos desfrutando da energia de pessoas juntas por um bem maior, de energias positivas unidas em uma via – ou simplesmente se esteve em cima de um carro alegórico no carnaval. Porque é muita alegria do lugar onde eu estava.

Aí quando pedalar está legal demais, fica ainda melhor: chegamos na primeira parada, no Parque do Ibirapuera. Ali, conhecemos ainda mais pessoas, ganhamos bolachas de chocolate, dividimos água, vinho, mais risos; tiramos fotos, mudamos de lugar no grupo e, de novo, antes de continuar e ao longo do segundo trecho do trajeto, fazemos ainda mais amigos.

E ao som dos melhores hits dos anos 80 foi que, de repente, estávamos no destino final, a Praça Guilherme Kawall. Playground incrível, com adultos curtindo a balança, escorregador e gangorra. Isolados, de janelas fechadas, presos no trânsito, com ar-condicionado no talo? Nós, não!

Ficou com vontade de participar de uma Bike Party? No próximo sábado (22/12) tem a última edição do ano, com o tema Heróis e o “não-fim do mundo”.

Porque somos adultos, mas com a alma de crianças. E celebramos. Convivemos. Pedalamos.

 

Foto de capa: Cabecaobike

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